11.7.12

Por que a Maratona?



Sob vários aspectos, ela é uma distância ingrata. Ao contrário das provas de 5, 10, 15 ou 21 kms, uma maratona não se faz com o pé nas costas (deixando claro que essa é uma figura de linguagem, afinal já tem maluco correndo de costas, de repente alguém se aventura a tentar uma prova literalmente com o 'pé nas costas').
A maratona é como aquelas namoradas (os) que já tivemos na vida. Que exigiam atenção total e quase exclusiva. A maratona suga uma energia desproporcional quando a comparamos com outras distâncias. Mesmo sendo bem preguiçosos, conseguimos correr uma meia-maratona. Já corri meias treinando pouco, menos de 20 kms semanais, sem musculação, sem preocupação especial com alimentação, na raça mesmo. E acabei com dignidade. Não que esse estilo vagabundo seja recomendável, absolutamente não. Treinar com método e inteligência é sempre melhor. Mas é possível. Até os 17, 18 quilômetros vai fácil, depois a gente se arrasta e chega.
Na maratona não tem muito acordo, salvo quando estamos falando de algum ser humano abençoado com poderes anormais. Sem planejamento, a gente não chega. Sem musculação, as pernas abrirão o bico. Sem cuidados com nutrição, morreremos na praia. Dificilmente completaremos (correndo, não caminhando) uma maratona se fizermos menos do que 40 quilômetros semanais. Sem os longões progressivos que beliscarão a distância de 30 quilômetros, a maratona cobrará seu preço. Precisamos beber menos, pensaremos duas vezes antes de pedir a segunda cerveja. Teremos que combinar com a namorada e negociar a manhã do sabadão. “Benzinho, não poderei ir na feirinha com você. Meu treino vai durar mais de três horas. Ah, e na noite de sexta, precisarei dormir mais cedo. E depois do treino, não vai dar pra ir ao supermercado, estarei acabado. Tudo bem?”.
Só a maratona custa tão caro. Até a meia, dá para conciliar várias atividades paralelas. Por que diabos a gente insiste em querer maratonas?