7.4.11

maraturismo

O MUNDO SOB SEUS PÉS

By multiesportes on dezembro 1, 2010
http://www.multiesportes.com.br/?p=2313


É possível fazer turismo esportivo e correr em diferentes países, inclusive em algumas das mais famosas maratonas do mundo

Conhecer um lugar, respirar novos ares e ainda correr. Disputar uma maratona fora do Brasil é combinar dois prazeres em uma só tacada, mas, ainda que seja o desejo de muitos, após as primeiras contas, torna-se realidade para poucos.

Porém, apertanto um pouquinho aqui e ali e, principalmente, planejando-se, é possível participar das grandes maratonas do mundo ou mesmo aventurar-se em algumas das mais exóticas corridas do planeta. Basta focar as finanças da mesma maneira que fazemos com o treino quando temos pela frente aquela prova alvo, afinal, é uma grande maneira de brindar-se depois de anos de treinos duros e muitos quilômetros deixados para trás.

O mercado brasileiro anda bastante aberto aos corredores. São várias as empresas especializadas neste tipo de turismo, o que aumenta a concorrência nos preços e nas opções. Ao lado das tradicionais Chamonix e Kamel, hoje temos Xtravel, Rent-A-Tour, Bon Voyage, Esfera, Traveler, entre outras que prestam serviços sob medida aos corredores. É, também, cada vez mais fácil fazer seu próprio pacote. As companhias aéreas e os hotéis facilitam compras e reservas pela internet. E a preços convidativos.

A queda do euro – e da libra – frente ao dólar é outro fator que torna as provas europeias mais acessíveis ao brasileiro. Agora, além das tradicionais maratonas de Paris, Berlim e Londres, outros destinos, como Roterdã, Amsterdã, Milão, Barcelona e Lisboa também são muito procurados. E, quanto maior o interesse, mais empresas brasileiras passam a comercializar os pacotes e o preço vai lá embaixo.

As opções nas agências de turismo, seja para a Europa ou Estados Unidos, ficam entre US$ 2.500,00 e US$ 3.500,00, incluindo passagem aérea, traslados – muitas vezes, contando também com o transporte no dia da prova –, em média cinco dias de diárias e a inscrição para a prova. Há, é claro, opções mais baratas, como as maratonas de São Francisco e Buenos Aires, por exemplo, que saem por volta de US$ 1.500,00. “Hoje as maratonas com maior número de brasileiros no exterior são a de Paris e a da Disney. As viagens mais caras são para os destinos que ficam mais afastados ou de difícil acesso, como as maratonas na Ásia e Oceania”, afirma o sócio-diretor da Rent a Tour, Daniel Carvalho.

Aí começa a primeira grande decisão: ‘vou para uma prova menos badalada, porém mais em conta, ou aproveito que já estou gastando e encaro uma daquelas que todo corredor sonha em fazer?’É o tal do custo-benefício. Paulo Ricardo Lins, que já correu nada menos que três maratonas de Nova Iorque, duas em Santiago e ainda passou por Atenas, Paris, Londres, Berlim, além da Comrades, na África do Sul, tem suas dicas. “Em termos de custo-benefício, o que eu achei mais legal foi quando fiz Paris e Londres, em 2008. As duas maratonas foram realizadas em dois finais de semana consecutivos, ou seja, aproveitei para conhecer duas cidades maravilhosas e correr suas maratonas em uma única viagem.”

Outro bastante ‘rodado’ no exterior, Julio Pessoa, contabiliza 10 provas em apenas 2 anos. Ele já esteve em Atenas (Grécia), Berlim (Alemanha), Gussing (Áustria), Durban (África do Sul), Toronto (Canadá) e Chicago, Seattle e Las Vegas (Estados Unidos), e ainda pretende correr em Caracas, na Venezuela, em dezembro. “Em relação ao custo-benefício, sem dúvida as melhores são as maratonas na América do Sul, principalmente Buenos Aires e Santiago, pois com apenas 12.000 milhas podemos trocar pela viagem ida e volta (em época de promoções de programas de pontos em companhias aéreas). Sobra somente o hotel e os gastos com alimentação e transportes, que são muito acessíveis nesses países, pois o real está muito valorizado. Se estiver com grana sobrando, invista em conhecer a Europa e fazer duas maratonas seguidas em países diferentes”, indica o corredor.

Soa perfeito, mas as contas no final do mês não o deixam sonhar tão longe? O especialista em economia doméstica Décio Kimura, do blog “Minhas Economias”, explica como. “O mais importante é que cada um faça um bom planejamento financeiro. É como um plano de corrida, é preciso se preparar com antecedência para conseguir um bom resultado na prova.”


Kimura propõe que responda às seguintes perguntas:

- Quando será a viagem?

“Isto ajudará a determinar o número de meses que temos para poupar”, explica.

- Qual será o gasto desta viagem?

É necessário fazer um levantamento detalhado de todas as despesas da viagem, como passagem, estadia, alimentação, transporte, etc. Viagens ao exterior podem exigir a emissão de visto e seguros de saúde, o que implica em mais custos. E não se esqueça daquelas despesas extras para o lazer, os presentes e as ‘lembranças’para amigos e família. “Como vantagem adicional, este levantamento poderá ser usado como o seu orçamento de viagem, evitando que você gaste mais que o planejado quando encontrar aquele tênis de corrida em promoção”, indica.

- Quanto eu deveria economizar por mês?

“Divida o valor dos gastos totais pelo número de meses que tem para economizar: você obterá um valor médio a ser poupado mensalmente.”

- Eu consigo economizar este valor?

“Lembre-se de que toda pessoa também possui outras despesas no dia a dia e muito provavelmente outros sonhos para os quais precisa poupar (por exemplo, uma casa ou apartamento, um carro, uma aposentadoria tranquila, etc.).” avalia. “Assim, o ideal é fazer um planejamento financeiro completo, de todos os nossos sonhos de vida. Caso contrário, você corre o risco de ver sua viagem atrapalhar o seu sonho da casa própria, por exemplo.”

O primeiro passo é anotar todos os gastos, inclusive os de pequeno valor, como o cafezinho após o almoço. Apesar de pequenos, eles se tornam importantes devido a sua recorrência. “Depois é preciso classificar os gastos em categorias, para que se possa avaliar quais são os maiores tipos de gastos. Após ao menos um mês de acompanhamento, deve-se fazer uma análise para detectar quais destes gastos podem ser diminuídos ou mesmo eliminados. Obviamente, esta tarefa será muito mais fácil se for feita em uma planilha ou em uma ferramenta específica. Para aqueles que não conseguem controlar seus impulsos de consumo, vale a pena estimar um valor total a ser gasto na viagem e, com base neste valor e no prazo, calcular o montante que deve ser economizado por mês para que a viagem seja feita. Com isto, cria-se uma grande motivação para que a pessoa passe a economizar tendo em vista um objeto de conquista”, explica o profissional.

Há maneiras de ajudar este dinheiro que está sendo economizado a se valorizar. “Este é um caso no qual o valor poupado já tem um destino certo e cujo desembolso deverá ocorrer no curto prazo. Assim, usualmente recomendase um tipo de investimento de baixo risco e que tenha liquidez, ou seja, em que seja possível resgatar o dinheiro aplicado rapidamente, em qualquer momento. É importante lembrar que este resgate poderá ocorrer até mesmo muito antes da viagem, por exemplo, no caso de compras antecipadas de passagens ou reservas de hotéis, aproveitando alguma pomoção”, indica Kimura. “Alguns exemplos de aplicações com estas características são a poupança, o CDB e fundos DI ou de renda fixa. Mas é muito importante que cada um invista também o seu próprio tempo para estudar e pesquisar as diversas modalidades de investimentos. Só assim poderá estar consciente dos riscos e oportunidades que cada aplicação oferece.”

Como baratear a viagem



- Planejar com muita antecedência;

- Comprar passagens aéreas com antecedência, sempre em busca de promoções;

- Decidir qual maratona ir a partir do preço da passagem e hospedagem;

- Pesquisar sempre na internet em busca de passagens mais baratas;

- Dispensar serviços de transfer e city-tour;

- Utilizar o transporte público;

- Comer em locais mais baratos, como fast foods e supermercados;

- Viajar com um grupo de corredores e negociar descontos.


Câmbio

Há quem arrisque um exercício de futurologia e tente economizar comprando euros ou dólares antecipadamente na tentativa de lucrar com uma possível alta. Nem precisa dizer que é arriscado. “Não há ‘bola de cristal’ que possa prever com precisão o que irá ocorrer com a taxa de câmbio. Desta forma, se o viajante não quer correr o risco de uma súbita desvalorização cambial, isto é, o risco do euro ou do dólar ficarem caros demais, a sugestão é que a compra de moeda estrangeira seja feita aos poucos, distribuída ao longo do tempo até a data da viagem. É possível que, à época da viagem, o câmbio acabe ficando muito mais barato, mas, ao menos, sua viagem estará garantida.”


Faça você mesmo

Outro caminho é tentar baratear a viagem o máximo possível. São dois os caminhos – e não há por que não se aproveitar de ambos numa só tacada. Primeiro, deixar o conforto dos pacotes de lado e fazer você mesmo sua viagem. O outro, juntar um grupo de amigos na empreitada. Assim, pode-se optar por quartos duplos ou triplos, mais baratos que os individuais, e negociar descontos. “Em geral, estruturar a própria viagem acaba saindo mais barato. No entanto, o viajante precisa dedicar algum tempo para pesquisar alojamento e meios de transporte. No caso da hospedagem, há diversos sites nos quais é possível comparar preços, condições e localização. No www.tripadvisor.com, é possível ler referências de viajantes sobre hotéis e restaurantes, além de dicas específicas de diversas cidades do mundo. Em relação a passagens aéreas, praticamente todas as empresas de aviação permitem a compra de bilhetes diretamente pelo site da própria empresa. Em alguns casos, ao comprar a passagem pela internet, o viajante ainda recebe um pequeno desconto em relação ao preço da passagem comprada em uma agência de viagens”, lista Kimura. Se esse for seu caminho – se não apenas pela economia, também pela liberdade – exercite a paciência. “A grande vantagem de comprar um pacote por uma agência é que a mesma irá organizar praticamente todos os aspectos de sua viagem. A preocupação do viajante será apenas a de pagar. Assim, para aqueles que não possuem tempo para pesquisar a viagem, não falam inglês (ou o idioma do país a ser visitado) ou então nunca viajaram por conta própria e não querem se deparar com imprevistos e ter de se virar sozinhos, talvez seja mais fácil pagar a comissão que a agência irá embutir no serviço vendido”, analisa o especialista. “Quando temos uma quantidade mínima de pessoas (a partir de 15 ou 20) conseguimos negociar uma tarifa melhor tanto com a companhia aérea, como com os hotéis”, explica Carvalho.

Cuidar de tudo sozinho é o caminho de Paulo Ricardo. “Planejo com, no mínimo, seis meses de antecedência. Prefiro cuidar de tudo só, muito embora em algumas maratonas sejamos obrigados a recorrer a agências de viagem, como, por exemplo, as maratonas de Nova Iorque e Londres, para as quais só se consegue inscrição por meio de operadoras”, conta. Isso acontece nas grandes maratonas do mundo, cujas organizações cadastram certas empresas para comercializar as inscrições. Geralmente, os sites desses eventos divulgam os nomes das agências e seus endereços. Cada uma delas recebe uma cota, daí a importância da compra antecipada. “O que encarece é viajar em períodos de alta estação e/ou a compra em cima da hora. É possível cortar gastos escolhendo opções mais econômicas de hospedagem e comprando com antecedência mínina de 6 meses para obter boas tarifas aéreas. Caso o passageiro queira fechar o pacote em cima da hora, está sujeito à disponibilidade de voos, hotéis, inscrições e, na maioria das vezes, gastará muito mais do que programando-se”, considera Daniel Carvalho.


Promoções

Outro bônus para quem se planeja é conseguir passagens aéreas mais baratas. Sabendo com antecedência a data da viagem, pode-se monitorar os sites da empresas e procurar por promoções. A classe econômica, por exemplo, é dividida em setores, com diferentes preços. Obviamente, os mais baratos acabam antes. Esse é um exemplo seguido à risca por Julio. “Estamos no final de agosto de 2010 e já comprei as passagens para as maratonas de Paris e Madri, dias 10 e 17 de abril de 2011. Os trechos aéreos Recife-Paris e Madri-Recife custaram R$ 2.019,00 e dividi em cinco vezes. O próximo passo é reservar os hotéis, trens entre as cidades, mas sempre com bastante antecedência”, ensina. “Quase sempre reservo e organizo tudo com minha esposa e os amigos que sempre viajam comigo. Tudo fica mais caro quando não se consegue fazer as inscrições das provas famosas como Nova Iorque, Chicago, Disney e Londres, que acabam muito rápido e você fica ‘engessado’ nas poucas companhias que detêm as inscrições. Para se ter uma ideia, a Maratona de Londres em abril de 2011 já está com as inscrições esgotadas.

Outros gastos que devem ser cortados são em relação aos hotéis. Sempre fico em hotéis de 3 estrelas (confortáveis) e que fiquem perto da largada da maratona, pois economizamos também no transporte.” Principalmente ao viajar para cidades grandes, a facilidade de utilizar o transporte público é grande e são comercializados minipacotes, como de 10 viagens de metrô, por exemplo. Portanto, os traslados não deixam de ser um luxo. “As maratonas que ficam mais caras são as que ocorrem na Europa, visto o custo da passagem aérea, alimentação e hospedagem. Eu procuro economizar ficando em hotéis mais baratos, me locomovendo unicamente por meio de metrô e ônibus e na alimentação, baseada em refeições em redes de fast food”, indica Paulo. Comprar comida em supermercados também ajuda bastante no bolso. Caso queira comer em restaurantes, procure os menos badalados, longe dos centros comerciais. O mesmo vale para os presentes. Bem organizado e com as contas em dia, certamente será uma experiência que vai querer repetir. Como recomenda o corredor Julio: “Não pode pensar muito. Acesse a internet, faça a inscrição da corrida, compre a passagem, reserve o hotel e… boa corrida!”


Quando a grana é curta…

Com uma boa dose de organização, é possível dar-se o presente de correr uma das grandes provas do mundo.

Algumas perguntas iniciais ajudam a pavimentar o caminho:

- Quando será a viagem?

- Qual será o gasto desta viagem? (passagem, estadia, alimentação, transporte, etc. Viagens ao exterior podem exigir a emissão de visto e seguros de saúde, o que implica em mais custos. E não se esqueça daquelas despesas extras para o lazer, os presentes e as ‘lembranças’ para amigos e família)

- Quanto eu deveria economizar por mês?

- Eu consigo economizar este valor?