30.4.10

Calma e cuidado

Dicas para se dar bem na maratona de São Paulo

(Rodolfo Lucena)

A maratona de São Paulo, que acontece no próximo domingo, é uma prova tão complicada e difícil quanto qualquer outra do gênero. A diferença, aqui, é que o horário de largada não leva em consideração os melhores interesses dos participantes, e sim outros fatores.

A prova de São Paulo e todas as maratonas no Brasil deveriam largar muito mais cedo, procurando aproveitar as temperaturas do início do dia, que em geral são mais amenas.

Mas, tudo bem. Se você se inscreveu na prova, sabe do regulamento e do horário. A largada é “a partir de 8h58”. Já comentei neste blog esse maldito “a partir”, que faz com que a prova esteja no horário se largar até as 23h59min59 de domingo...

O que importa agora é correr bem. Para isso, cuide bem de si mesmo nestes últimos dias que faltam para o evento.

Procure dormir cedo, descansar bastante. Talvez um trotezinho hoje, de uns 40 minutos, mais outro na sexta, só para relaxar a tensão e lembrar a musculatura de que ela vai ter um evento esgotante e glorioso pela frente.

Não enrole muito para pegar o kit, que será entregue amanhã e sexta (consulte o site da prova para mais informações). E, apesar da largada tardia na manhã de domingo, arrume suas coisas no sábado.

É aquela coisa: não use tênis novos nem outros equipamentos recém-comprados, não invente na hora de comer nem faça experimentos outros.

A maratona é matemática: você consegue nela o que você treinou. Mas não esqueça de que a matemática também tem sua dose de imprevisibilidade e, como a vida, oferece surpresas nem sempre divertidas. Se o Imponderável de Almeida se atrevessar no seu caminho, improvise.

Vá com calma. Aproveite os primeiros dois ou três quilômetros para se examinar, conferir se o seu ritmo está confortável e depois meta bronca.

Cada corredor, cada treinador tem um projeto de prova na cabeça. Em geral, os técnicos recomendam que você economize no começo e depois vá procurando aumentar o ritmo. Eu tenho sérias dúvidas se isso funciona para corredores amadores em uma prova tão longa como uma maratona.

Alguns amigos meus preferem deitar o chinelo enquanto der e depois administrar para ver como é que fica.

Eu sou a favor de correr no ritmo confortável que o corpo mandar. Em geral, para mim, isso significa ir mais rápido por uns dez ou 15 quilômetros, estabilizando então em um ritmo de cruzeiro. Depois dos 30, dá aquele cansaço, então se reduz o ritmo, para retomar a balada mais forte depois do 35 ou 38.

Enfim, não há uma receita. A coisa mais importante, especialmente para quem estiver fazendo sua estréia neste domingo, é ir na boa, ouvir o corpo, se divertir.

Beba água. Eu costumo tomar pelo menos uns três goles em cada posto de água.

Reabasteça. Leve sachês com carboidrato em gel, um para cada 50 minutos de prova, mais ou menos.

Respeite os colegas corredores, evitando correr em ziguezague ou ouvir música em volume muito alto. Cuidado ao jogar fora seu copo de água ou cuspir.

Se sentir dor, reduza o ritmo, caminhe um pouco. Se o problema persistir, pare. Há muitas maratonas no mundo, e você tem apenas um você.

Mas, se você acha que a dor da derrota fica para sempre (o que, cá entre nós, é uma bobagem...), vá em frente e se arraste até o final. Muitos de nós já fizemos isso em provas mais fáceis e em provas mais difíceis. É aquela história: cada um sabe (ou acha que sabe) o que é mais importante para si mesmo. Não será uma lesãozinha qualquer que vai mudar isso...

Bueno, nos vemos por lá. Eu não vou correr a maratona, porque acho esse horário um desrespeito. Mas vou correr e caminhar pelos 25 km, pois meu técnico programou um longão de 30, para ir na boa. Vamos ver o que meu calcanhar vai dizer disso.

Divirta-se.