19.2.10

um exemplo

Aposentado de 72 anos corre maratona sub-3h
 (Rodolfo Lucena)


Caminhos da vida

Falei que os corredores gostamos muito de fazer planilhas, projetar tempos, organizar a vida. Muitos de nós somos metódicos ao extremo, fazendo sempre os mesmos percursos, anotando os mínimos detalhes dos treinos. Citei como exemplo um engenheiro aposentado que vive no Canadá, Ed Whitlock, que foi a primeira pessoa de mais de 70 anos a correr uma maratona em menos de três horas.

Claro que você tem perfeita idéia do que isso significa, mas não custa lembrar, para que tenhamos um termo de comparação, que a velocidade média de conclusão de maratonas nos Estados Unidos, em 2005, foi de 4h3208 para homens e 5h06min08 para mulheres.

Pois bem. Eu conversei com o simpático senhor Whitlock em 2003, pouco tempo depois de ele ter completado a Toronto Waterfront Marathon em 2h59min09. Por telefone, esse engenheiro de minas aposentado, então com 72 anos, me deu uma longa entrevista, que foi publicada na Folha em dezembro daquele ano.


A seguir, os principais trechos da conversa.


Folha - O que essa conquista representou para o senhor?

ED WHITLOCK - Eu fiquei muito satisfeito com o recorde, muito aliviado.


Folha - Por que aliviado? Há quanto tempo o senhor vem pensando nessa marca?

WHITLOCK - Comecei a pensar na maratona sub-3 quando estava chegando perto dos 70 anos, quando tinha 68. Fiz uma primeira tentativa pouco depois de completar 70 anos, mas corri 24 segundos acima das três horas. Desde então, tive alguns problemas, fiquei machucado e não tinha tido outra oportunidade até agora.


Folha - O que lhe dava tanta certeza de que poderia conseguir?

WHITLOCK - Aos 69 anos, corri uma maratona em 2h52min50. Isso me fazia acreditar que, no ano seguinte, eu faria mesmo sub-3, mas não consegui.


Folha - Quando o senhor começou a correr?

WHITLOCK - Quando eu estava na escola, na Inglaterra. Corria principalmente provas de cross-country. Mas parei quando vim para o Canadá, aos 21 anos. Eu era engenheiro de minas e vim trabalhar em mineração. Naquela época, nos lugares em que eu trabalhava, não havia corridas, ninguém corria. Então larguei de mão.


Folha - Quando o senhor voltou a correr? E como chegou às maratonas?

WHITLOCK - Aos 41 anos. Desde então, não parei mais de correr... Passei às maratonas quando eu tinha 45 anos, mas sem treinar muito seriamente. Na época, eu era principalmente um corredor de provas de pista, 800 m e 1.500 m. Eu era bastante bom para a minha idade, ganhei um Mundial nos 1.500 m quando eu tinha 46 anos. Cheguei às maratonas porque estava fazendo treinos longos como preparação para minhas provas curtas. Fazia longões durante o inverno para ganhar resistência para as provas curtas, realizadas no verão. E acabei entrando em uma maratona no final do inverno.


Folha - E o que há de bom em correr? Por que o senhor corre?

WHITLOCK - Eu corro porque gosto de participar de corridas, gosto de me sair bem em corridas, isso me dá muita satisfação. Descobri que corredores de longa distância são gente boa para conversar.


Folha - O senhor se considera um exemplo para outras pessoas de sua idade?

WHITLOCK - Algumas pessoas dizem isso. Acredito que meu desempenho pode ajudar a mostrar que as pessoas mais velhas provavelmente são capazes de fazer muito mais do que a sociedade acredita que possam. Meu recorde, por exemplo, certamente pode ser superado. Fui o primeiro _e isso é muito bom_, mas posso ser superado.


Folha - Como são seus treinos?

WHITLOCK - Corro duas horas por dia em um ritmo confortável, não muito forte. Corro em volta do cemitério. É um circuito muito pequeno, pouco mais de 500 metros. Não conto as voltas que dou nem marco o tempo de cada volta, simplesmente corro. Esse lugar fica perto de casa _se eu ficar cansado, é fácil voltar.


Folha - O senhor não tira dias de folga?

WHITLOCK - Não. Posso descansar um dia antes de uma prova ou deixar de correr uma vez ou outra, mas não estabeleço dias de folga deliberadamente.


Folha - Como é o seu dia?

WHITLOCK - Eu corro, trabalho em casa e no jardim, leio jornais e revistas, fico no computador. Assim é meu dia.


Folha - E no campo da saúde? Certamente o senhor está em melhor forma do que a maioria das pessoas de sua idade.

WHITLOCK - Não sei se isso se deve às corridas. Eu diria que provavelmente eu estaria saudável, em boa forma, de qualquer jeito. Correr não me prejudica, não me faz mal, exceto por algumas lesões de vez em quando, mas acho que é assim para a maioria das pessoas. Acho que, para sua saúde, é bom correr. Mas também há coisas ruins: você acaba machucando os joelhos, por exemplo, e há quem tenha ataque cardíaco.


Folha - Como é sua alimentação? O senhor bebe, fuma?

WHITLOCK - Não como nada de especial nem faço dieta, não uso vitaminas nem suplementos alimentares. Cheguei a fumar há muitos anos, mas por pouco tempo. Bebo vinho duas a três vezes por semana, uma cerveja de vez em quando.


Folha - O senhor tem alguma mensagem para os corredores?

WHITLOCK - Continuem correndo. Correr é bom.

por Rodolfo Lucena

16.2.10

condromalácea patelar

Você sabe o que é condromalácea patelar?

É uma doença degenerativa da cartilagem articular da superfície posterior da patela, comum em corredores, e que provoca dores ao correr em terrenos íngrimes
É uma doença degenerativa da cartilagem articular da superfície posterior da patela, que produz dor e desconforto ao redor ou atrás da patela. É comum em jovens adultos, especialmente em jogadores de tênis, futebol e corredores.

SINTOMAS
Os principais sintomas são: dor na região anterior do joelho ao subir e descer escadas, ao permanecer sentado por tempo prolongado e levantar (Sinal de Cinema), ao correr principalmente em terrenos ingrime, ao agachar-se; estalidos na região da patela ao flexionar e estender o joelho; edema que são decorrentes pelo excesso de líquido na articulação.

CAUSAS
As causas da condromalácea estão relacionadas a mal alinhamento da patela, ocasionando desgaste da patela, desequilíbrio muscular – quadríceps VMOxVL, encurtamento muscular – região posterior da coxa, alterações anatômicas tanto do fêmur quanto da patela – patela alta, pronação do pé, troclea rasa, rotação interna do fêmur,...).

Existem também os microtraumatismos de repetição, comuns em esportes de impactos e o uso inadequado de aparelho de ginástica como step, Leg Press, miniagachamento que acabam sobrecarregando a articulação femoropatelar.

TRATAMENTO
O tratamento inicial deve ser baseado nas causas da lesão. Após ser diagnosticada a causa da lesão, iniciamos o tratamento fisioterápico com o objetivo de diminuir o quadro álgico e antinflamatório, além do ganho de flexibilidade e reequilíbrio muscular, enfatizando VMO para equilibrar as forças atuantes sobre a patela.

É importante durante o fortalecimento muscular avaliar o limite de extensão e flexão de joelho, para não piorar o estado da cartilagem na patela. Durante o tratamento precisamos tomar algumas precauções como por exemplo: evitar exercícios e esportes de impacto, evitar subir e descer escadas, colocar gelo após os exercícios e permanecer longo período sentado ou com a perna cruzada.

Se não houver melhora do quadro após o tratamento conservador, é necessário o tratamento cirúrgico, através da artroscopia para restabelecer a biomecânica da articulação. Hoje existem medicamentos condroprotetores para prevenir ou regredir a lesão na patela.