14.11.09

Planeje bem sua maratona

Planeje bem sua maratona, para que ela seja uma festa
POR MARCOS OLIVEIRA BOTTESI

Há muitas coisas na vida que o dinheiro não compra. Uma delas é o prazer de completar uma maratona. Num mundo onde é possível até mesmo pagar pelos serviços de guias super-especializados para se chegar ao cume do Everest tendo, claro, experiência em alpinismo e preparo físico e psicológico adequados à subida a mais de 8 mil metros de altitude, vale citar o tão popular slogan daquele cartão de crédito: tem coisas que o dinheiro não compra. Para todas as outras... bem, cada um paga como pode.

Não! Em hipótese alguma quero dizer que a tarefa de escalar o Everest é mais fácil do que completar os 42.195 m de uma maratona. Na verdade, tomando por base o número de pessoas que completam cada um destes desafios, a gente logo vê que o "buraco" de escalar o Everest é muito, muito mais embaixo, se me permitem o trocadilho ridículo. E muito mais caro também, como se descobre através de uma simples consulta a um site que vende tal serviço, cujo valor ultrapassa os 60 mil dólares.

Mas, dificuldades e custos à parte, há espaço para todos os tipos de espetáculo, principalmente para o de correr uma maratona. Muito espaço. Basta ver a enorme quantidade de maratonas que é disputada nos quatro cantos do mundo.

A idéia básica aqui é mostrar que para completar uma prova desse tamanho e dentro dos tempos-limites razoavelmente aceitos nas maratonas mais tradicionais - digamos 6 horas - de nada adianta pagar um treinador e achar que o restante se resumirá a dar umas poucas corridinhas ao redor do quarteirão de sua casa. O interessado vai ter que suar a camisa. E quando digo suar, é suar mesmo, muito, várias vezes, exaustivamente.

Correr os 42 é fácil... Costumo dizer que o dia da maratona na verdade é o dia da festa. Se você está lá, naquele bolo de gente, se aquecendo e aguardando o tiro de largada, com certeza deve ter feito a sua lição de casa e agora pretende tão somente coroar tudo o que penou nos meses que antecederam a prova. O duro não é correr os 42 km do dia da maratona, quando muitas vezes você é incentivado por centenas ou milhares de pessoas, quem sabe algumas até mesmo gritando seu nome a ponto de causar arrepios.
A maratona exige, sim, concentração para que você não perca o ritmo tantas vezes treinado e imaginado para suas passadas. Mas como negar que ouvir uma, duas, várias bandas tocando no percurso da corrida não é estimulante, relaxante e gratificante? No dia da prova você ainda ganha frutas, água e bebidas energéticas, sem que precise se preocupar em como vai fazer para obtê-las.

Para demonstrar que é dia de festa, com um pouco de sorte você será fotografado e poderá se ver todo formoso num desses sites de esportes. Sendo dia de festa, é natural que você receba um presentinho... no caso, uma camiseta com detalhes sobre o evento. E, glória plena, no dia da prova você será premiado com uma medalha. Simples ou toda cheia de frescuras, ela, a medalha, vai simbolizar seu esforço e sempre que você a vir guardada se lembrará com orgulho e satisfação de tudo o que fez para merecê-la.

Longos e mais longos. Falei da festa e duvido que alguns não corredores que me honraram lendo este texto até aqui não queiram participar disso tudo. Mas a verdade, meus amigos, é que nem tudo são flores. Há que se passar pelo dia-a-dia do treinamento, esse negócio que inventaram e que nos obriga a correr quilômetros e mais quilômetros durante semanas a fio apenas para poder ter o prazer de completar os 42 km. Aí é que entra (ou sai) o suor, muito suor. Haja disposição! Haja força de vontade para cumprir a carga de treinamento prevista!
E não espere ganhar nenhuma medalha por ter concluído, sozinho, mais um daqueles intermináveis longões de 30 km num fim de semana chuvoso qualquer, enquanto seus familiares desfrutam ainda da cama aconchegante. É justamente nesse árduo caminho feito de muitas corridas, suor, fartleks e intervalados, ladeiras, dores musculares, planilhas, vários quilômetros rodados, com sol ou com chuva, e muitas vezes realizadas após a desgastante jornada diária do trabalho, que algumas pessoas desistem da idéia de participar de uma maratona.

Cruzar a linha de chegada, mesmo que às vezes em condições um pouco debilitadas, é o resultado de alguns meses de trabalho árduo e um mínimo de planejamento e estratégia. É quando você vê, na prática, o que acontece com outros tantos projetos, muitos deles enormes, vultosos, que se transformam em realidade à custa desses mesmos fatores: planejamento, estratégia e esforço individual ou coletivo. Por isso, procurarei detalhar o que compõe este planejamento, quando se trata de fazer uma maratona.

Planejamento físico. Esse é sem dúvida o mais conhecido. É o planejamento dos dias em que você vai treinar, em qual ritmo, a duração do treinamento, as distâncias, os descansos. E inclui também o planejamento de exercícios que busquem fortalecer outros músculos do corpo visando principalmente prevenir lesões. Ou exercícios e atividades cuja principal função seja justamente ajudá-lo a relaxar.

Existem dezenas de fontes para achar planilhas de treinamento. Algumas podem ser montadas especialmente para você por profissionais de Educação Física. Não esqueço jamais uma charge sensacional mostrada nesta revista...o cara todo produzido para a corrida, boné, tênis último modelo, cronômetro, óculos de sol e por aí vai. O colega pergunta: e aí, treinou bastante? Ele responde: putz...sabia que tinha esquecido alguma coisa!


Planejamento nutricional. Trata da questão bastante séria e delicada de ingerir adequadamente alimentos e bebidas para se obter energia necessária durante os treinos e a prova. Carboidratos, gorduras, glicogênio, gasto energético...são palavras que vão pautar este planejamento. Nele devem constar basicamente os cardápios das refeições, de acordo com as características pessoais e também atrelados ao planejamento físico uma vez que cada fase do planejamento tem uma necessidade diferente de energia. O ideal é que tal planejamento seja preparado por um profissional especializado em nutrição.

Planejamento logístico. Responde pela preparação de tudo o que envolve materiais necessários e deslocamentos para cumprir adequadamente seus treinos e a prova. Onde você costuma correr? Na rua? Na esteira da academia? No parque de sua cidade? Na praia? Com certeza você pensou em como vai se hidratar em cada um destes locais, como vai repor carboidratos durante os treinos mais longos, que tipo de roupa vai usar porque, mesmo no frio, ao começar a correr, seu corpo vai gerar calor e não vai ser nada agradável ficar correndo com aquele agasalho que lhe parecia tão aconchegante momentos antes. Quem já correu em NY sabe o tanto de roupa que é deixada pelos corredores na largada em Staten Island - podemos dizer que é uma campanha do agasalho de curtíssima duração mas de enorme eficácia.

A maratona vai ser fora de sua cidade? Pois então você planejou o dia em que vai chegar, onde vai se hospedar, como vai se deslocar até o local da largada e com que antecedência. Desnecessário citar a importância do tênis, pois teses e mais teses de doutorado já foram escritas tratando apenas e tão somente dele. E não esqueça que alguns pequenos itens podem fazer a diferença... experimente ficar correndo com seus mamilos machucados pelo atrito com a camiseta suada. Pois então... vaselina ou protetores adesivos, além de protetor solar e labial. Óculos de sol, boné, MP3, uma meia já usada ou uma novinha e pronta a lhe causar bolhas. Será que você já tinha se dado conta de quantas variáveis e detalhes essa parte do planejamento engloba? Logo, não os menospreze jamais!

Planejamento médico. Responde pelas ações necessárias para que você mantenha seus exames médicos em dia, ações em caso de eventuais interrupções no treinamento e pausas para recuperação de lesões, resfriados e outras doenças. Para correr uma maratona com o mínimo de risco possível à sua tão valiosa saúde, você deve estar em dia com suas mensalid...digo, com seus check-ups. O médico deverá solicitar e avaliar seus exames, desde um simples exame ergométrico até uma cintilografia, se ele assim julgar necessário.
Logo, planeje adequadamente um tempo para a consulta médica, realização e avaliação dos exames. Planeje também o tempo para se recuperar se você está lesionado. Quanto mais longo o período de treinamento, maior a chance de pegar uma gripe durante esse período, o que pode afastá-lo por alguns dias das corridas. Afastamentos por longos períodos implicam alterações nos treinamentos. Logo, há uma ligação direta entre o planejamento médico e o físico.

Planejamento psicológico. Cuide da sua mente, poderoso aliado (ou inimigo) para este desafio a que você se propôs. Esteja preparado para a parte final da corrida quando tudo o que você deseja é enxergar o pórtico de chegada ou até mesmo para um eventual insucesso na conclusão da prova. Não sei dizer se são muitos os que desistem nem exatamente as razões, mas que existem, existem. Numa maratona lembro-me até de um ônibus que vinha recolhendo os desistentes e que era chamado carinhosamente de "prego".

Você já ouviu a frase "shit happens" ou conhece o tal do Murphy e suas leis, não é mesmo? Então prepare-se para, eventualmente, suportar um pouco de câibras, para correr com chuva, com vento ou com sol forte, para ver que o seu recorde pessoal não será batido desta vez, apesar de todo o seu esforço. Mas acima de tudo, prepare-se para a dureza da rotina dos treinos. Nem sempre você vai estar no clima e disposto na hora de começar um treino programado meses antes. Aqui entra a força psicológica e mentalizar com freqüência seu objetivo traz ótimos resultados. Correr em grupos com certeza também ajuda bastante, pois existe um incentivo mútuo entre os colegas.

Quem sabe a Comrades um dia. Vimos aqui cinco áreas de planejamento. Algumas delas os corredores realizam sem se dar conta, principalmente porque várias atividades de diferentes áreas de planejamento são feitas simultaneamente. Você treina enquanto acerta sua viagem. Você monta seu calendário de treinamento, enquanto mentaliza e sonha com a conclusão da prova.

Procure planejar tudo, pois as chances de sucesso serão maiores e a maior beneficiada será a sua saúde. Quem sabe um dia você estará fazendo o mesmo que alguns "loucos" já realizaram, se não escalar o Everest, pelo menos concluindo com sucesso os 87 km ladeira acima da Comrades, na África do Sul.


6.11.09

como ou não como?

POR ANDREIA TORRES (andreiatconsultoria@gmail.com)


SUPLEMENTOS PODEM ME AJUDAR?

Sim, suplementos podem ajudar, contanto que sejam tomados quando necessários e de forma individualizada, considerando-se o esporte praticado, a intensidade, a freqüência de prática, o grau de condicionamento, além da idade, do sexo, peso, dentre outros fatores. Porém, os suplementos sozinhos não fazem milagre. Não adianta gastar o salário na loja de suplementos e não treinar bem.
Existem atletas que relatam um enorme consumo calórico proveniente de shakes, barras de cereal e proteína, hipercalóricos, géis, bebidas esportivas. É impressionante: onde estão os alimentos de verdade? Frutas, verduras, cereais integrais, peixes, castanhas, nozes e feijões contêm muitos nutrientes importantes não presentes nestes produtos prontos. Por isto, tenha cuidado para sua suplementação não comprometer o equilíbrio do organismo. Também é importante saber que nosso corpo se adapta aos suplementos e por isto os mesmos não devem ser utilizados indefinidamente. Lembre-se: a vida precisa de pausas!


QUANTAS REFEIÇÕES PRECISO FAZER POR DIA?

Esta quantidade é variável, visto que o consumo calório não é igual para todos. Enquanto uma mulher sedentária precisa de cerca de 1.200 kcal por dia, um atleta pode necessitar de 5.000 ou mais. Obviamente o número e o volume das refeições do atleta será maior. Mesmo assim lembre-se que o ideal é nos alimentarmos de três em três horas. para manter o metabolismo acelerado, os níveis de energia altos e os estoques de glicogênio muscular cheios para as próximas corridas.
Existem, por exemplo, pessoas que estudam, trabalham, correm e acabam comendo muito pouco durante todo o dia e se empanturrando à noite. Este hábito pode ter um impacto negativo nos treinos. Se você for correr no final da tarde sem se alimentar bem pode correr mal e ainda utilizar sua musculatura para o fornecimento de energia, o que não é bom: menos músculos = mais lesões. Assim, se esforce para ter sempre à mão alimentos como frutas secas, castanhas ou mesmo barras de cereais e dê preferência a sucos naturais.


DEVO COMER ANTES DE CORRER?
Você não vai conseguir correr após uma feijoada ou um churrasco, mas também não precisa sair para o exercício faminto. Corridas logo após uma refeição podem causar desconfortos gástricos, porém correr em jejum fará com que o exercício renda menos, já que os níveis de energia estarão baixos. Assim, como regra geral, quando vamos correr não podemos estar famintos nem muito cheios após uma refeição. Por isto, tente se alimentar de forma leve 1 a 2 horas antes da sua corrida, especialmente se ela for longa. Alimentos ricos em carboidratos, como pães, macarrão, batata são boas opções. Alimentos muito ricos em gorduras, fibras ou proteínas podem não cair muito bem.


O QUE DEVO COMER APÓS A CORRIDA?

Após as corridas, especialmente as longas, tente repor as energias o quanto antes. Isto maximiza o estoque de glicogênio muscular, peça fundamental para um próximo treino. O consumo de carboidratos até 30 minutos após a corrida também diminui as dores e evita futuras lesões. Assim, o ideal é continuar dando preferência aos carboidratos. Contudo, não ignore as proteínas após as corridas. Neste caso, um sanduíche com queijo, uma macarronada com carne, leite com cereal ou vitamina de fruta são opções interessantes.


PRECISO COMER DURANTE A CORRIDA?

Se for correr menos de 90 minutos não haverá necessidade, porém tempos maiores fazem com que a glicose sanguínea caia e os estoques de glicogênio se esgotem. Para manter o ritmo, o ideal é repor o carboidrato perdido. Não existe forma melhor de descobrir o alimento perfeito para você a não ser testando. Gel de maltodextrina, biscoito, barras de cereal, rapadura, jujuba são todas opções possíveis. Se você perde muito liquido, não se esqueça também de repor o sódio. O mesmo está presente em alimentos salgados, sal de cozinha e bebidas esportivas.


CORRO BASTANTE E SOU MAGRO; POSSO COMER O QUE EU QUISER?

Existe um mito entre os corredores de que a atividade física os manterá sempre saudáveis, mesmo consumindo muitos alimentos processados, do tipo "fast food", ricos em açúcares, ou mesmo exagerando nas bebidas alcoólicas. Porém a atividade física não compensa a falta de nutrientes que pode acontecer em dietas como estas. Não tem problema nenhum em sair para comer uma pizza, tomar uma cerveja com os amigos ou saborear um sorvete no calor. Por outro lado, fazer disto uma regra pode causar um estrago, visto que a falta de nutrientes antioxidantes aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer. Por isto, as regras gerais aplicam-se a todos: consumir entre 3 e 5 porções de frutas e verduras diariamente, moderar o consumo de bebidas alcoólicas, evitar carnes gordas e preferir alimentos integrais, sempre que possível.


PRECISO EMAGRECER; DEVO EXCLUIR AS GORDURAS DA MINHA ALIMENTAÇÃO?

Não! As gorduras são muito importantes, auxiliam a digestão, melhoram o sabor dos alimentos e dão mais saciedade após as refeições. O que devemos fazer é escolher bem os tipos de lipídios consumidos. Existem aqueles mais relacionados ao entupimento das artérias. São as gorduras saturadas e trans, presentes em carnes e queijos gordos, leite integral, alimentos processados (tortas, cookies, biscoitos recheados). Mas existem também as gorduras boas, que não entopem as artérias e ainda regulam nosso metabolismo, ajudando o processo de emagrecimento. Estão presentes no azeite, no abacate, no açaí, nas nozes e castanhas. Isto não significa que você poderá exagerar no consumo destes alimentos, que fornecem ainda zinco, selênio, vitaminas e fitoquímicos, antioxidantes que favorecem nosso sistema imune.


É PROIBIDO BEBER ÁGUA DURANTE AS REFEIÇÕES?

Na verdade, as pesquisas sugerem que pequenas quantidades de água durante as refeições não causam problema algum, porém o consumo excessivo de líquido pode diluir o ácido gástrico e outras enzimas estomacais, atrasando a digestão dos alimentos, o que não é nada bom se você estiver pensando em correr logo mais. Além disso, a diluição poderia fazer o estômago produzir mais ácido, podendo causar a sensação de queimação.

5.11.09

benefícios da MARATONA

MARATONA


- O maratonista aprende a desenvolver pequenas metas (mensais, semanais e até diárias) e a se organizar melhor.

- O treino longo pode ser uma positiva e construtiva forma de egoísmo. Naquele momento a pessoa aprende a fazer por ela mesma. Isso gera autoconfiança e segurança de saber que é capaz.

- “Você tem de dizer ‘eu concluí’. Não existe prazer maior que este. Na corrida, não importa se você é o primeiro a chegar, se chega na metade, ou se está entre os últimos”, Fred Lebow, corredor e um dos fundadores da Maratona de Nova York.

- Depois de uma maratona, tudo na vida fica menos complicado. Os problemas ganham proporções muito menores.

- É uma experiência de superação que pode ser levada para a vida profissional e pessoal.

- Treinar para fazer o melhor é a mais saudável forma de competição.

- Muitas pessoas correm para relaxar da realidade; outras para provar a si mesmas que são capazes; e algumas para encontrar os próprios limites.

fonte: http://maratonismo.blogs.sapo.pt/40871.html

2.11.09

Salve sua pele

Vem chegando o verão...Salve sua pele!

É verdade que a temperatura esteve acima da média durante o ano todo, mas chegou a hora de redobrar a atenção com a proteção solar a fim de se evitar problemas, que vão de envelhecimento precoce a câncer cutâneo.

"Você cuida do seu coração correndo, mas a pele é o seu maior órgão; tome cuidado", alertou a maratonista americana Deena Kastor, alguns meses atrás, época em que anunciou que estava com câncer de pele. Aos 34 anos, a dona do recorde americano em maratona revelou que foram identificados em seu corpo 25 pontos com carcinoma basocelular e melanoma, este último um dos mais graves tipos de câncer e, segundo os médicos, também o que mais cresce no mundo.

Ao falar da doença, a intenção da atleta foi chamar a atenção dos corredores para os cuidados com o sol durante os treinamentos. "Se você é corredor ou amante de esporte outdoor, use protetor solar, roupas adequadas e boné, e procure um dermatologista pelo menos uma vez por ano", aconselha Deena, que conseguiu superar o problema com tratamento especial (veja mais adiante nesta matéria).

Em um recente artigo, a dermatologista Ana Lúcia Recio, de São Paulo, relata que especialistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul realizaram um estudo, durante os Jogos Pan-Americanos do Rio, para avaliar os hábitos e conhecimentos de atletas brasileiros a respeito dos riscos da exposição solar sem proteção. Uma das principais conclusões foi a de que 73% dos esportistas praticam sua atividade ao ar livre, na maior parte do tempo. E embora todos afirmassem ter consciência da necessidade de foto proteção adequada durante o treino e o lazer, as queimaduras nesses indivíduos ocorriam freqüentemente - o que significa que o filtro utilizado era inferior ao recomendado ou então que a aplicação não era feita de maneira correta.

Cuidados básicos. Para os pesquisadores, esse resultado também reflete os hábitos da população brasileira em geral. Por isso, não precisa ser um atleta de ponta para se preocupar. Nós, pobres mortais corredores, também temos que tomar muito cuidado. "O sol traz muitos benefícios, desde promover a síntese da vitamina D no organismo até melhorar o humor da pessoa. Mas também traz malefícios, que vão do envelhecimento precoce, queda da resistência imunológica a manchas e risco de câncer de pele", diz a dermatologista Ana Maria Pinheiro, professora da Universidade de Brasília, presente no 21º Congresso Mundial de Dermatologia, realizado em outubro, em Buenos Aires.

Para os corredores, a médica aconselha: "Em primeiro lugar, fuja do sol entre 10 da manhã e 4 da tarde, visto que a incidência de radiações ultravioletas é maior nesse período. Aplique uma dupla camada de filtro solar - ou seja, espalhe o produto, espere a pele absorver, e passe novamente -, com Fator de Proteção Solar (FPS) 30, vinte minutos antes de sair de casa. Reaplique a cada duas horas ou se transpirar muito. Não esqueça de nenhuma parte do corpo: rosto, orelhas, braços, mãos, pernas. Também use camiseta e boné como proteção física".

No Congresso muito foi falado sobre os danos causados pelo sol à pele e sobre a importância dos produtos apresentarem proteção não só contra raios ultravioleta B (UVB), mas também contra raios ultravioleta A (UVA). "Estamos trabalhando para que haja uma normatização e todos os filtros passem a ter proteção anti-UVA, radiação que, como se sabe agora, também predispõe a pele ao surgimento do câncer", diz a dermatologista Ana Maria.

Alguns laboratórios, atentos a isso, já disponibilizam produtos com essa dupla proteção. "Protetores em spray e resistentes ao suor, desenvolvidos especialmente para esportistas, começam a se tornar mais comuns nas prateleiras, além de roupas com tecidos leves e FPS", conta o dermatologista Luis Fernando Tovo, de São Paulo.

A displicência nos treinos. Pergunte a um amigo corredor se ele se preocupa com proteção solar e usa filtro inclusive durante os treinos. Difícil encontrar quem tenha tão constantemente esse comportamento. Um estudo desenvolvido por C.M. Rudolph, da Universidade de Graz, na Áustria, e publicado na revista Archives of Dermatology, avaliou 210 corredores de maratona quanto ao risco de câncer de pele. Nos treinos e nas corridas, 97% deles disseram usar roupas leves, calções e camisetas de manga curta ou sem manga. Dessa forma, deixam de proteger ombros, braços e pernas dos raios ultravioletas. E apenas 56% garantiram utilizar regularmente protetor solar durante os treinos. Só que, ao examiná-los, foi encontrado um número significativamente maior número de lesões (pintas, nódulos) pré-malignas do que em pessoas não corredoras de maratonas. E essas lesões podem se transformar em câncer de pele.

"A principal causa da doença é a exposição prolongada e repetida à radiação ultravioleta do sol", explica Luis Fernando Tovo, um dos organizadores do censo realizado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que teve como objetivo levantar as principais queixas dermatológicas da população, com o propósito de contribuir para o desenvolvimento da política de saúde pública do país.

Vale lembrar que essa exposição é um dos fatores, mas não o único. O câncer de pele é provocado também por fatores genéticos e ambientais, como a destruição da camada de ozônio. Para se ter idéia da encrenca, de acordo com o especialista, a cada 1% da diminuição da camada de ozônio, aumenta em 4% as chances da enfermidade.

Como reconhecer e tratar. O câncer de pele é um tumor formado por células da pele que sofreram uma transformação de multiplicaram-se de maneira desordenada e anormal dando origem a um novo tecido (neoplasia). Pode se manifestar por meio de manchas pruriginosas (que coçam), descamativas ou que sangram; sinais ou pintas que mudam de tamanho, forma ou cor; feridas que não cicatrizam em quatro semanas. É o mais comum entre os cânceres e pode ter as seguintes formas:

Carcinoma basocelular. Mais freqüente (70% a 80% dos casos) e com menor potencial de malignidade. Seu crescimento é lento e raramente se dissemina; está relacionado à exposição dos raios UVB; se manifesta em áreas expostas ao sol como face, braços, colo e mãos e, freqüentemente, é indolor; aparece através de nódulos e feridas que não cicatrizam ou lesões que sangram com facilidade, como o atrito com uma toalha de banho ao se secar, por exemplo.

Carcinoma espinocelular / epidermóide. Menos comum que o basocelular, acomete mais as áreas de mucosa aparente, como boca ou lábios, cicatrizes de queimaduras antigas ou áreas que sofreram irradiação (raio X). Tem crescimento mais rápido e as lesões maiores podem dar origem a metástases.

Melanoma maligno. Corresponde à transformação maligna dos melanócitos (células produtoras de pigmento) e é o câncer que mais cresce no mundo (nos últimos 10 anos a incidência aumentou 20%). Pode surgir na pele sadia ou a partir de sinais "escuros", em áreas não expostas ao sol, porém é mais freqüente nas áreas expostas.

Felizmente, quando submetido a uma intervenção precoce e adequada, o câncer de pele tem altos índices de cura. Se for benigno, o procedimento pode ser cirúrgico (remove-se parte ou o tumor inteiro para exame microscópico, a fim de se determinar seu tipo e conduzir o tratamento) ou através da criocirurgia (congelamento da lesão com um jato de nitrogênio líquido, em uma ou várias sessões).

Novo tratamento. Agora, a grande novidade é a terapia fotodinâmica, um método não invasivo, que não deixa cicatrizes e permite ao paciente retomar sua rotina em poucos dias. Consiste na aplicação tópica do creme cloridrato de aminolevulinato de metila, seguida da exposição da pele a uma fonte de luz especial chamada Akilite (desenvolvida pelo laboratório Galderma, especificamente para esse método), que emite uma onda vermelha ativando o produto. Desta forma, o medicamento chega às camadas mais profundas da pele, atingindo o tumor. Se a lesão for maligna, quanto antes for retirada, maior a chance de cura.

A maratonista Deena Kastor submeteu-se ao tratamento e removeu os pontos afetados pela doença, seguindo depois com seus treinos e provas. Mas o melhor, sempre, é investir em prevenção. O ideal é iniciar a conscientização da proteção solar na infância, já que cerca de 80% da radiação solar recebida durante a vida ocorre nos primeiros 20 anos. Os efeitos da radiação ultravioleta só se manifestam com o passar do tempo e as lesões começam a aparecer na maioria das vezes por volta dos 40 anos.

POR YARA ACHÔA